Teoria da Realidade Original
Teoria da Realidade Original

A Teoria — texto integral

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Apresentação

A Teoria da Realidade Original (TRO) é uma proposta de investigação dedicada à construção de uma estrutura conceitual capaz de descrever a realidade a partir de princípios fundamentais comuns aos mais diversos fenômenos.

Sua origem não está na tentativa de criar uma teoria alternativa às já existentes, mas em um longo processo de investigação iniciado pela própria experiência do autor. Esse processo começou pela observação sistemática da própria mente: a busca por compreender como pensamentos surgem, como interpretações são construídas, de que maneira podem ser modificadas e como diferentes formas de perceber a realidade alteram a própria compreensão do mundo.

Ao longo dessa investigação, as hipóteses formuladas passaram a ser continuamente confrontadas com conhecimentos produzidos em diferentes áreas, como neurociência, psicologia, antropologia, sociologia, história, física, biologia, teoria dos sistemas e outras disciplinas. O objetivo nunca foi confirmar uma intuição pessoal, mas submetê-la permanentemente ao diálogo com o conhecimento já produzido.

Durante esse percurso, tornou-se evidente que diversas teorias procuram compreender a realidade de maneira integrada. Entre elas estão, por exemplo, a Teoria Geral dos Sistemas, a Teoria da Complexidade, a Cibernética, a Teoria da Informação e diferentes esforços contemporâneos de unificação da física. A TRO reconhece a importância dessas contribuições e identifica pontos de aproximação com muitas delas.

Entretanto, a proposta da TRO não consiste em substituir essas teorias nem em competir com elas. Também não parte da hipótese de que o conhecimento atual esteja equivocado. Ao contrário, procura aprender com ele, dialogar com ele e utilizá-lo como referência para o desenvolvimento de uma estrutura conceitual própria.

Sua hipótese central é que diferentes campos do conhecimento podem representar abstrações distintas de uma mesma realidade. A investigação procura responder se existe uma estrutura conceitual suficientemente fundamental para integrar essas diferentes perspectivas sem eliminar suas especificidades.

A teoria encontra-se atualmente em processo de formalização. Sua arquitetura conceitual já está estabelecida, mas sua publicação exige um trabalho contínuo de revisão, refinamento terminológico, organização lógica e demonstração. Parte desse processo inclui a construção de formalizações matemáticas destinadas não a substituir a linguagem conceitual, mas a expressar, sempre que possível, determinadas relações de maneira rigorosa.

Por essa razão, os artigos e ensaios publicados neste site não constituem uma exposição completa da teoria. Eles apresentam reflexões, análises e aplicações desenvolvidas a partir de conceitos que fazem parte da TRO, ainda em processo de organização para publicação.

Este espaço acompanhará essa evolução. À medida que a teoria for sendo consolidada, seus fundamentos, conceitos, demonstrações e possíveis aplicações serão publicados progressivamente, permitindo que o leitor acompanhe seu desenvolvimento e, sobretudo, possa avaliá-la criticamente à luz da lógica interna da própria teoria e do conhecimento científico disponível.

1. Fundamentos e Métodos de Análise

1.1 O que é a Teoria da Realidade Original?

Conhecer é diferenciar a realidade e combinar suas diferenças em informação. Abstrair é percorrer o caminho inverso: eliminar progressivamente informação pela redução das diferenças conceituais.

O limite teórico da construção do conhecimento é a diferenciação total. O limite teórico da abstração é a ausência de diferenciação e, portanto, de informação. Na Teoria da Realidade Original (TRO), a Realidade Original corresponde a esse segundo limite: uma realidade sem qualquer diferenciação, perspectiva, interpretação ou representação sobre ela.

A Realidade Original, portanto, não pode ser integralmente conhecida. Conhecer já é diferenciá-la.

No momento em que algo é distinguido de outra coisa, surge uma diferença. Perceber e diferenciar, nesse sentido, constituem o mesmo fenômeno, ainda que possam ser separados conceitualmente para fins de explicação. Não há percepção sem diferença, porque perceber algo significa necessariamente distingui-lo.

A partir dessa diferenciação, torna-se possível interpretar e representar. Aquilo que era conceitualmente indiviso passa a ser dividido em elementos distinguíveis, que podem então ser relacionados e combinados. Dessas combinações surge informação.

A realidade percebida, interpretada e representada já não corresponde, portanto, à Realidade Original em seu limite teórico. Ela constitui uma realidade derivada.

Essa distinção entre Realidade Original e realidade derivada também é, ela própria, uma derivação. Os conceitos de “Realidade Original”, “realidade derivada”, “diferenciação”, “informação” e todos os demais conceitos utilizados pela TRO são representações. A teoria necessariamente opera no interior de uma realidade derivada para formular conceitualmente aquilo que, em seu limite, deixaria de admitir qualquer formulação conceitual.

Por essa razão, a Realidade Original não constitui um objeto que a TRO pretenda alcançar ou conhecer integralmente. Ela funciona como um limite teórico de abstração.

Podemos representá-lo por meio de uma régua conceitual.

Em uma extremidade estaria a diferenciação máxima: o crescimento das distinções, conceitos, interpretações, representações e informações por meio dos quais uma realidade derivada se torna progressivamente mais complexa.

Na extremidade oposta estaria a abstração máxima: zero diferenciação e, consequentemente, zero informação.

Esse ponto zero corresponde conceitualmente à Realidade Original.

Os extremos dessa régua são limites teóricos. O método da TRO opera necessariamente entre eles.

1.2 O método da TRO

Se conhecer significa diferenciar e construir informação a partir das diferenças, abstrair significa realizar o movimento contrário.

O método da TRO consiste em desconstruir progressivamente diferenciações conceituais, deslocando a análise em direção ao limite da Realidade Original, sem pressupor que esse limite possa ser efetivamente alcançado.

Ao retirar diferenciações, fenômenos que inicialmente pareciam distintos podem começar a revelar estruturas comuns. Distinções necessárias em determinada camada explicativa podem desaparecer quando a análise alcança uma camada mais abstrata.

A abstração, nesse sentido, não acrescenta informação. Ela a reduz.

Abstrair significa saber menos naquela escala de análise: retirar detalhes, categorias, conceitos e divisões que anteriormente permitiam diferenciar uma coisa de outra. A finalidade dessa redução, entretanto, não é simplesmente destruir o conhecimento.

A desconstrução é seguida pela reconstrução.

O conhecimento humano chega ao indivíduo, em grande medida, já estruturado. Conceitos, categorias, explicações e campos de conhecimento são recebidos como construções previamente realizadas. O indivíduo pode aprender essas construções e utilizá-las sem necessariamente reconstruir intelectualmente o caminho pelo qual se tornaram possíveis.

A TRO propõe um movimento diferente.

Primeiro, desconstrói.

Depois, reconstrói.

Ao desconstruir determinado conhecimento, procura reduzir progressivamente as diferenciações que o constituem. Ao reconstruí-lo, refaz o percurso em sentido contrário, recuperando as diferenciações e observando como estruturas progressivamente mais complexas podem emergir das anteriores.

A finalidade não é substituir o conhecimento herdado, mas aumentar sua resolução estrutural.

Desconstruir e reconstruir permite não apenas saber que determinado conceito existe ou conhecer sua definição, mas investigar como suas diferenciações internas se organizam, quais distinções são necessárias para sustentá-lo e em que profundidade essas distinções começam a desaparecer ou a se fundir com distinções presentes em outros conceitos.

O movimento pode ser representado, de forma simplificada, em duas direções:

Construção → aumento das diferenciações → aumento das possibilidades de combinação → aumento da informação → realidades derivadas progressivamente mais complexas.

Abstração → redução das diferenciações → redução das possibilidades de combinação → redução da informação → aproximação conceitual do limite da Realidade Original.

A TRO percorre deliberadamente a segunda direção para depois retornar pela primeira.

Não porque seja possível chegar ao ponto zero da régua, mas porque o movimento em sua direção permite investigar aquilo que desaparece e aquilo que permanece quando as diferenciações são progressivamente retiradas.

É nesse processo que fenômenos inicialmente classificados como diferentes podem começar a apresentar padrões comuns.

A reconstrução subsequente permite então retornar ao conhecimento diferenciado carregando uma compreensão estrutural que não estava necessariamente presente quando esse conhecimento foi apenas recebido em sua forma pronta.

A TRO pode, portanto, ser compreendida simultaneamente como uma teoria e como um método de análise.

A teoria propõe a Realidade Original como o limite conceitual de ausência de diferenciação e informação.

O método desloca-se em direção a esse limite por abstração, desconstruindo diferenciações, e depois realiza o movimento inverso, reconstruindo-as.

Desconstruir para identificar o que permanece quando as diferenças desaparecem. Reconstruir para compreender como as diferenças tornam possível aquilo que chamamos de conhecimento.

É a partir desse movimento que a Teoria da Realidade Original inicia sua investigação da realidade.

2. Antes de explicar a teoria

Antes de iniciar propriamente a explicação da realidade proposta pela Teoria da Realidade Original, é necessário examinar as condições pelas quais qualquer explicação pode ser construída e comunicada.

A teoria será necessariamente apresentada por meio de linguagem, conceitos, abstrações, representações, fórmulas e outros códigos. Por isso, antes de utilizar esses instrumentos para explicar a realidade, esta etapa investiga como percepção, interpretação, representação e comunicação participam da construção e transmissão de uma explicação.

A exposição a seguir apresenta essa investigação em prosa, com acesso ao projeto de pesquisa técnica correspondente.

2.1 Signos, representação e código

A letra “A” é um signo gráfico dentro de determinado sistema de escrita. Sua forma pode ser reconhecida e utilizada segundo as convenções desse sistema.

A palavra “árvore” é um signo linguístico. Ela pode ser utilizada para representar uma árvore, mas a palavra “árvore” não é a árvore. O signo não é aquilo que representa.

Diferentes línguas e sistemas de escrita utilizam diferentes formas de codificação. Nem todas as línguas possuem escrita, e nem todos os sistemas de escrita funcionam alfabeticamente.

Letras, palavras, números, imagens, diagramas e outros signos podem participar de sistemas de representação. As convenções de cada sistema permitem que esses signos sejam utilizados e relacionados.

Representação e aquilo que é representado não são a mesma coisa. Distinguir realidade, representação e código é necessário antes de examinar como uma mensagem é produzida, transmitida e interpretada.

2.2 Comunicação entre emissor e receptor

Antes de apresentar uma teoria, precisamos considerar o que acontece quando tentamos comunicá-la. O texto não transporta diretamente a compreensão de quem escreve para quem lê. Ele oferece palavras, exemplos e relações a partir dos quais o leitor constrói uma interpretação.

A investigação sobre comunicação apresentada aqui emerge da TRO, mas não constitui a exposição da teoria. Sua função nesta etapa é preparar o terreno para a leitura: examinar como percepção, interpretação e representação participam da construção de uma explicação e de sua compreensão por outra pessoa.

O ponto de partida foi uma dificuldade prática: produzir uma mensagem cujo significado permanecesse invariável entre emissor e receptor, inicialmente entre um ser humano e uma inteligência artificial. Acrescentar definições, exemplos e restrições parecia uma forma de eliminar ambiguidades. Entretanto, cada esclarecimento recorria a novos termos, que também precisavam ser interpretados. A precisão podia reduzir algumas possibilidades de leitura sem eliminar todas as demais.

Essa dificuldade deslocou a pergunta. Em vez de procurar primeiro uma mensagem imune a qualquer transformação de sentido, tornou-se necessário investigar o processo pelo qual algo é percebido, interpretado, representado e comunicado. Uma mensagem chega a alguém que já possui experiências, referências e condições próprias; ela não chega a um ponto de partida vazio.

O projeto técnico propõe examinar essas condições em conjunto. A trajetória do indivíduo participa de sua maneira de responder, enquanto a circunstância inclui as condições presentes de sua relação consigo mesmo e com o ambiente. Percepção, interpretação e representação são separadas na explicação para que possamos investigá-las, sem pressupor que ocorram como etapas isoladas ou numa sequência rígida. O modelo em desenvolvimento deverá explicitar suas relações recursivas.

Ao comunicar, o emissor seleciona algo daquilo que pretende expressar e o organiza por meio de um código. O receptor encontra a mensagem produzida, não a totalidade das relações que participaram de sua produção. A partir dela, realiza sua própria interpretação. O projeto formula a hipótese de que representações produzidas por indivíduos distintos não possuem identidade absoluta; essa hipótese deverá ser examinada, e não considerada demonstrada apenas por ter sido enunciada ou escrita matematicamente.

Isso não exige tratar toda comunicação como fracasso. Duas interpretações podem corresponder suficientemente para determinada finalidade sem serem idênticas. Por essa razão, o projeto não utiliza correspondência como uma grandeza absoluta: é preciso dizer segundo qual critério duas representações estão sendo comparadas. Uma aproximação suficiente para uma finalidade pode ser insuficiente para outra.

O diálogo permite retomar esse processo. Uma resposta oferece novos elementos para interpretação, pode revelar diferenças e possibilita reformular a mensagem. Mas a repetição da troca não garante, por si só, uma aproximação crescente. A retroalimentação pode aumentar, reduzir ou reorganizar a correspondência, e o modelo deverá investigar em quais condições isso acontece.

Para a leitura da TRO, a consequência é metodológica: antes de comparar um conceito com outro já conhecido, precisamos compreender como ele está sendo utilizado no texto e quais relações procura expressar. A explicação pode orientar essa compreensão, mas não dispensar o trabalho interpretativo do leitor. As premissas seguintes retomam esses cuidados antes da exposição da teoria.

O projeto de pesquisa vinculado a esta seção preserva o desenvolvimento técnico dessa investigação: seus módulos, definições provisórias, hipóteses, propostas de formalização e critérios de verificação futura. Ele é um plano de trabalho em elaboração. A formalização não constitui evidência, e as hipóteses deverão ser modificadas ou rejeitadas caso a investigação não as sustente.

Ver desenvolvimento técnico — 5.1

2.3 Premissas para compreender a TRO

Antes de entrar propriamente na Teoria da Realidade Original, algumas premissas devem permanecer como referência para a leitura. Elas condensam princípios apresentados anteriormente e estabelecem os limites dentro dos quais os conceitos seguintes devem ser interpretados.

A realidade é una e indivisível. A divisão pertence à explicação e ao conhecimento.

Conhecer exige diferenciar. Para perceber, interpretar, representar, comparar e relacionar, precisamos produzir distinções. Separamos objetos, acontecimentos, propriedades, escalas, disciplinas e conceitos porque essas divisões aumentam nossa capacidade de conhecer e explicar.

Isso não significa que as mesmas divisões existam na realidade da maneira como existem em nossas representações.

As partes pertencem ao mapa. A realidade não precisa obedecer às fronteiras que utilizamos para explicá-la.

Por isso, quando a TRO divide conceitualmente um fenômeno, apresenta uma sequência explicativa ou utiliza diferentes abstrações, essas divisões não devem ser automaticamente transformadas em partes, etapas ou acontecimentos ontologicamente independentes.

Se conhecer exige diferenciar uma realidade una, aquilo que identificamos como uma coisa depende também das diferenças que conseguimos ou escolhemos considerar.

Não existem duas coisas absolutamente idênticas.

Dois átomos podem ser classificados como hidrogênio porque correspondem suficientemente aos critérios utilizados nessa classificação. Isso não exige que sejam absolutamente idênticos em todas as suas relações, estados e histórias.

A mesma impossibilidade permanece através do tempo. Uma coisa não é absolutamente idêntica nem a si própria em dois instantes diferentes. Ela continua em interação consigo mesma e com o contexto ao qual pertence. Para preservar uma identidade absolutamente invariável seria necessário, conceitualmente, congelá-la no tempo e eliminar qualquer mudança em suas relações.

Por isso, igualdade e identidade utilizadas pelo conhecimento são dependentes da resolução e da finalidade da comparação.

Dizer que duas coisas são iguais significa que, naquele recorte, determinadas diferenças foram desconsideradas.

A classificação permanece útil. O que desaparece é apenas a exigência de que igualdade classificatória corresponda a identidade absoluta.

Conhecer e comunicar exigem representação.

Letras, palavras, números, imagens, conceitos, diagramas, modelos e teorias são formas pelas quais diferenças percebidas e interpretadas podem ser codificadas e relacionadas.

Mas o signo não é aquilo que representa.

A palavra árvore não é uma árvore. Uma fotografia de uma árvore também não é a árvore. Um conceito de átomo não é um átomo. Um modelo da realidade não é a realidade.

A própria TRO está submetida a essa premissa.

Tudo aquilo que será apresentado a seguir — Realidade Original, Realidade Derivada, Realidade Derivada Humana e qualquer outro conceito — constitui representação utilizada para explicar aquilo que a teoria procura compreender.

A representação pode aumentar nossa capacidade de conhecer a realidade sem jamais tornar-se a própria realidade.

A comunicação não transfere diretamente o estado interpretativo de um indivíduo para outro.

O emissor produz uma representação codificada e a disponibiliza através de uma mensagem. O receptor recebe essa representação e precisa interpretá-la.

Por isso, aquilo que chega ao receptor não é a interpretação existente no emissor, mas uma mensagem a partir da qual outra interpretação será construída.

Quanto maior a correspondência entre códigos, referências, experiências e contextos disponíveis aos participantes, maior pode ser a aproximação entre as interpretações. Ainda assim, comunicação não implica identidade entre elas.

Essa premissa também se aplica à própria TRO.

O texto seguinte não transfere a teoria diretamente para o leitor. Ele disponibiliza representações a partir das quais o leitor construirá sua própria interpretação.

A TRO utiliza diferentes abstrações para aumentar ou reduzir a resolução explicativa sem assumir que as fronteiras produzidas por essas abstrações sejam fronteiras da própria realidade.

O mesmo vale para o conhecimento já existente.

Física, química, biologia, astronomia, neurociência, psicologia e outros campos produzem conhecimentos fundamentais por meio de seus próprios recortes, escalas, métodos e linguagens. A TRO utiliza observações, medições, experimentos e modelos produzidos por esses campos, mas não assume que suas divisões disciplinares constituam divisões ontológicas da realidade.

Por isso, um conceito da TRO deve primeiro ser compreendido dentro da abstração em que foi formulado.

Não se deve concluir imediatamente que um conceito da TRO “é” determinado conceito da física, da biologia, da filosofia ou de qualquer outro campo apenas porque existe alguma correspondência entre eles.

Da mesma forma, abstrações diferentes dentro da própria TRO não devem ser fundidas apenas porque se referem ao mesmo fenômeno.

Compreender vem antes de comparar.

Comparar vem antes de concluir equivalência, compatibilidade ou conflito.

A TRO pode formular inferências a partir de padrões encontrados entre diferentes escalas e perspectivas mesmo quando determinada relação ainda não possui explicação estabelecida por uma disciplina especializada. Isso não transforma a inferência em evidência.

Quando houver confronto com conhecimento externo, deve permanecer explícita a diferença entre observação, evidência, modelo, correspondência, compatibilidade, inferência, hipótese e conflito.

3. A Teoria da Realidade Original

A exposição da TRO será organizada em três grandes abstrações: Realidade Original, Realidade Derivada e Realidade Derivada Humana.

Esses são os três grandes recipientes conceituais da estrutura atualmente definida. Eles não representam três realidades separadas. São divisões explicativas utilizadas para organizar a exposição de uma realidade que, conforme estabelecido anteriormente, é considerada una e indivisível.

Todo desenvolvimento conceitual posterior da TRO deverá, a princípio, ser acomodado em uma dessas três grandes abstrações.

3.1 Realidade Original

3.2 Realidade Derivada

3.3 Realidade Derivada Humana

4. Aplicações da TRO

Esta seção reunirá aplicações da Teoria da Realidade Original como instrumento de análise de problemas e situações concretas.

5. Desenvolvimento técnico

5.1 Comunicação entre emissor e receptor — referente ao item 2.2

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5.1.1 Motivação e origem do projeto

Este projeto nasceu de um problema prático de comunicação.

A tentativa inicial consistia em construir uma mensagem suficientemente precisa para que seu significado permanecesse invariável quando transmitido entre um emissor e um receptor — inicialmente, entre um ser humano e uma inteligência artificial.

O objetivo parecia, em princípio, solucionável pelo aumento da precisão.

Uma definição poderia ser acompanhada de outras definições, restrições, exemplos, contraexemplos, fórmulas e testes semânticos destinados a reduzir interpretações concorrentes.

Entretanto, durante o próprio processo de construção dessas definições, surgiu um problema recorrente.

Cada termo acrescentado para eliminar uma ambiguidade introduzia novas possibilidades de interpretação.

Uma palavra utilizada pelo emissor não chegava ao receptor acompanhada da experiência, das associações e das relações internas que determinaram seu significado para quem a utilizou.

O receptor recebia o código, não a estrutura interna que lhe deu origem.

Assim, uma tentativa de tornar uma mensagem semanticamente invariável produzia uma regressão:

Definição
→ identificação de ambiguidade
→ nova definição
→ novas possibilidades interpretativas
→ novas restrições
→ novas possibilidades interpretativas

O problema revelou-se mais profundo quando se considerou que nenhuma mensagem produzida no presente pode antecipar todas as categorias, conceitos, expressões e interpretações que poderão surgir no futuro.

Mesmo uma definição capaz de excluir todas as ambiguidades atualmente conhecidas permaneceria exposta a novas possibilidades semânticas produzidas posteriormente pela criatividade humana, pela filosofia, pela ciência, pela tecnologia, pela transformação cultural e pela própria evolução da linguagem.

Um conceito futuro que ainda não existe não pode ser explicitamente excluído por uma mensagem produzida hoje.

Isso levou à reformulação do problema.

Talvez o objetivo de uma comunicação rigorosa não possa ser:

eliminar toda possibilidade de deriva semântica.

Talvez seja necessário compreender primeiro:

por que a deriva surge;

em quais etapas ela surge;

como percepção, interpretação e representação participam dela;

como uma representação é transformada em mensagem;

como a mensagem é reconstruída por outro indivíduo;

e como ciclos sucessivos de retroalimentação podem alterar a correspondência entre aquilo que se pretende comunicar e aquilo que é reconstruído pelo receptor.

A partir dessa mudança de problema surgiu este projeto.

Seu objetivo não é construir inicialmente uma linguagem perfeita.

Seu objetivo é construir um modelo formal do processo que antecede, produz e sucede a comunicação.


5.1.2 Problema fundamental

Um modelo simplificado da comunicação poderia ser escrito como:

Emissor → Mensagem → Receptor

Este projeto parte da hipótese de que essa representação omite processos fundamentais.

Antes de existir mensagem, existem processos de percepção, interpretação e representação.

A mensagem exige seleção e codificação.

Depois da transmissão, a mensagem precisa novamente ser percebida, interpretada e representada pelo receptor.

Além disso, emissor e receptor possuem trajetórias singulares.

Consequentemente, aquilo que participa da produção da mensagem no emissor não é absolutamente idêntico àquilo que participa de sua reconstrução no receptor.

O problema geral passa a ser:

Como trajetórias individuais singulares participam da transformação de eventos em percepções, interpretações e representações e, posteriormente, da transformação de parte dessas representações em mensagens que serão percebidas, interpretadas e reconstruídas por outro indivíduo?


5.1.3 Natureza do trabalho

O projeto será desenvolvido inicialmente como um modelo teórico-formal modular.

Não se trata, nesta etapa, de um experimento empírico único.

Cada módulo deverá combinar três elementos explicitamente separados:

Evidência científica

Resultados, mecanismos e relações sustentados pela literatura científica disponível.

Hipótese

Proposição que o modelo pretende examinar e que não deve ser apresentada como fato apenas porque possui uma formalização matemática.

Formalização

Representação matemática ou lógica criada para tornar explícitas variáveis, relações, dependências e consequências.

A formalização não será tratada como evidência.

Uma equação pode representar uma hipótese sem demonstrar que a hipótese corresponde empiricamente ao fenômeno.


5.1.4 Regra metodológica fundamental

A realidade estudada não será presumida como dividida nas mesmas partes utilizadas pela demonstração.

Percepção, interpretação, representação, estado, mensagem e demais categorias serão separadas porque a explicação exige recortes.

Portanto:

A ordem pertence à demonstração. A dinâmica modelada é contínua, recursiva e interdependente.

A numeração dos módulos não significa que o fenômeno opere como uma sequência rígida.

Quando forem utilizadas relações como:

Percepção → Interpretação → Representação

a seta deverá ser compreendida inicialmente como ferramenta de decomposição explicativa.

As relações recursivas serão explicitadas conforme cada módulo for formalizado.


5.1.5 Hipótese central

Hipótese da Singularidade Representacional

Para indivíduos distintos (i) e (j), propõe-se:

Rᵢ(t) ≢ Rⱼ(t)

Onde:

Rᵢ(t) = representação produzida pelo indivíduo i no instante t

Rⱼ(t) = representação produzida pelo indivíduo j no instante t

≢ = ausência de identidade absoluta

A hipótese afirma que representações produzidas por indivíduos distintos são necessariamente singulares.

A proposição não será considerada demonstrada neste ponto.

Sua sustentação deverá emergir progressivamente das demonstrações sobre:

trajetória individual;

configuração estatística;

circunstância;

estado;

percepção;

interpretação;

representação;

codificação;

mensagem;

e reconstrução.

Ao final, será necessário verificar se as premissas e evidências adotadas realmente sustentam:

Rᵢ(t) ≢ Rⱼ(t)

Se não sustentarem, a hipótese deverá ser modificada ou rejeitada.


5.1.6 Correspondência não será tratada como grandeza absoluta

Expressões como:

“muita correspondência”;

“pouca correspondência”;

“grande diferença”;

“pequena diferença”;

não serão utilizadas como se possuíssem significado absoluto.

Toda correspondência deverá estar associada a um critério ou finalidade.

Formalmente:

Cor(X,Y | Q)

Onde:

Cor = correspondência

X e Y = elementos comparados

Q = critério ou finalidade da comparação

Assim, duas representações podem possuir correspondência suficiente segundo Q₁ e insuficiente segundo Q₂.

Correspondência não significa identidade.


5.1.7 Arquitetura geral

O desenvolvimento será dividido em módulos.

Cada módulo fornecerá os elementos necessários ao seguinte.

Módulo 0 — Continuidade transgeracional da informação
Módulo 1 — Configuração estatística, circunstância e estado
Módulo 2 — Percepção
Módulo 3 — Interpretação
Módulo 4 — Representação
Módulo 5 — Codificação e mensagem
Módulo 6 — Comunicação entre emissor e receptor
Módulo 7 — Deriva e correspondência
Módulo 8 — Retroalimentação

5.1.8 Módulo 0 — Continuidade transgeracional da informação

Pergunta

Com quais condições antecedentes um indivíduo humano inicia sua trajetória?

Objetivo

Demonstrar que um indivíduo não inicia sua existência informacional a partir de zero.

Base científica a investigar

Herança biológica;

desenvolvimento pré-natal;

linguagem;

aprendizagem social;

transmissão cultural;

conhecimento acumulado;

educação;

práticas sociais;

continuidade informacional entre gerações.

Proposição mínima

O indivíduo inicia sua trajetória dentro de condições que antecedem sua existência individual.

As gerações não simplesmente copiam uma base informacional.

Há:

transmissão;

seleção;

transformação;

perda;

recombinação;

e produção de informação.

O Módulo 0 estabelece as condições antecedentes.

Ele não precisa participar diretamente de todas as equações posteriores.


5.1.9 Módulo 1 — Configuração estatística, circunstância e estado

Este módulo estabelece variáveis dinâmicas que acompanharão todas as demonstrações posteriores.

Elas não constituem etapas isoladas anteriores à percepção.

Participam da percepção, interpretação e representação e são simultaneamente atualizadas pela dinâmica da experiência.

5.1.9.1 Configuração estatística

Definição provisória:

Configuração estatística é a história internalizada de interações e experiências anteriores que condiciona probabilisticamente respostas futuras.

Símbolo provisório:

Cᵢ(t)

A configuração estatística:

não é uma simples contagem de experiências;

não é estática;

é dependente da trajetória;

é continuamente atualizável;

e participa das respostas posteriores do indivíduo.

Uma primeira representação abstrata poderá assumir:

Cᵢ(t+1) = U(Cᵢ(t), Xₜ, ...)

A função U deverá ser desenvolvida posteriormente.

5.1.9.2 Circunstância

Definição provisória:

Circunstância é o conjunto das condições atuais das relações do indivíduo consigo mesmo e com o ambiente, no instante considerado. O ambiente inclui outros indivíduos.

Símbolo provisório:

Kᵢ(t)

A relação do indivíduo consigo mesmo inclui condições presentes como, por exemplo:

dor;

fome;

fadiga;

emoções;

sensações;

condições fisiológicas;

e outras condições internas relevantes.

A relação indivíduo–ambiente inclui:

condições físicas;

estímulos;

objetos;

contexto social;

outros indivíduos;

e demais elementos presentes na relação naquele instante.

A distinção entre interno e externo será utilizada como recurso explicativo, não necessariamente como fronteira absoluta do fenômeno.

5.1.9.3 Estado

O estado representa a configuração efetiva do indivíduo no instante considerado.

Uma primeira formalização será:

Sᵢ(t) = F(Cᵢ(t), Kᵢ(t))

Onde:

Sᵢ(t) = estado

Cᵢ(t) = configuração estatística

Kᵢ(t) = circunstância

F = relação funcional a ser posteriormente especificada

O estado participa das operações posteriores.

Essas operações também participam da atualização do estado.

Portanto, a dinâmica geral deverá admitir:

Sₜ → processosₜ → Sₜ₊₁

sem pressupor uma cadeia linear simples.

Dependência recursiva

Configuração estatística, circunstância e estado não podem ser compreendidos integralmente sem percepção, interpretação e representação.

Da mesma maneira, percepção, interpretação e representação não podem ser compreendidas sem configuração estatística, circunstância e estado.

Essa circularidade não constitui erro lógico do modelo.

Ela representa uma propriedade recursiva do fenômeno.

Os módulos serão separados apenas para tornar essa dinâmica explicável.


5.1.10 Módulo 2 — Percepção

Pergunta

Como diferenças disponíveis em um evento tornam-se diferenças percebidas por determinado indivíduo?

Objetivo

Construir uma definição cientificamente sustentada de percepção que possa posteriormente participar das formalizações de interpretação e representação.

Base científica

Sistemas sensoriais;

psicofísica;

atenção;

saliência;

interocepção;

processamento perceptual;

limites fisiológicos;

seleção de informação;

processamento preditivo, quando pertinente e sustentado.

Variáveis iniciais

Xₜ = evento ou conjunto de condições disponíveis

Sᵢ(t) = estado do indivíduo

Pᵢ(t) = percepção

Uma representação inicial poderá assumir:

Pᵢ(t) = F_P(Xₜ, Sᵢ(t))

Essa fórmula não será considerada definitiva antes da análise científica.

Regra

A percepção será tratada como dinâmica e atualizável.

Ela participa de relações recursivas com processos posteriores.

A recursividade é adotada aqui como pressuposto do modelo, não como conclusão já demonstrada. A pesquisa científica deste módulo deverá investigar como representar essa recursividade e examinar a sustentação desse pressuposto, que poderá ser revisto se a investigação não o sustentar.


5.1.11 Módulo 3 — Interpretação

Pergunta

Como aquilo que foi percebido é processado de maneira singular por determinado indivíduo?

Dependências

Este módulo utilizará conceitos já formalizados:

configuração estatística;

circunstância;

estado;

percepção.

Formalização inicial

Iᵢ(t) = F_I(Pᵢ(t), Sᵢ(t))

Onde:

Iᵢ(t) = interpretação.

A fórmula será posteriormente refinada para representar relações recursivas.

Objetivo

Definir:

o que será chamado de interpretação;

como interpretação se distingue de percepção;

como depende da trajetória e do estado;

como participa da atualização posterior;

e como se relaciona com representação.


5.1.12 Módulo 4 — Representação

Pergunta

O que é uma representação e como ela emerge da dinâmica envolvendo percepção, interpretação e estado?

Objetivo

Produzir uma definição suficientemente precisa de representação para que ela possa ser utilizada posteriormente na formalização da comunicação.

Formalização inicial

Rᵢ(t) = F_R(Iᵢ(t), Sᵢ(t))

Essa relação é provisória.

A pesquisa deverá verificar como percepção, interpretação e representação se relacionam recursivamente segundo o conhecimento científico contemporâneo.

Resultado necessário

Definir:

representação;

singularidade representacional;

atualização representacional;

relação entre representação e configuração estatística;

e os limites daquilo que pode ser inferido cientificamente sobre representações internas.


5.1.13 Módulo 5 — Codificação e mensagem

Pergunta

Como parte de uma representação é transformada em uma mensagem comunicável?

Elementos

R_E = representação do emissor

Q_E = conteúdo selecionado para comunicação

Γ_E = operação de codificação

L = código utilizado

M = mensagem

Estrutura inicial:

R_E → Q_E → Γ_E → M

Hipótese

Codificação é transformação.

Portanto:

Q_E ≢ M

A mensagem não é a representação nem o conteúdo representacional que lhe deu origem.

Temas

linguagem;

símbolos;

semântica;

pragmática;

compressão;

seleção;

comunicação multimodal;

matemática como código;

imagens;

gestos;

som.


5.1.14 Módulo 6 — Comunicação entre emissor e receptor

Somente neste ponto o modelo completo de comunicação será construído.

Todos os elementos utilizados deverão ter sido definidos anteriormente.

Emissor

Estado
→ Percepção
→ Interpretação
→ Representação
→ Seleção
→ Codificação
→ Mensagem

Receptor

Mensagem
→ Percepção
→ Interpretação
→ Representação

A representação matemática completa deverá incorporar a recursividade estabelecida nos módulos anteriores.

Proposição a examinar

A representação reconstruída pelo receptor não possui identidade absoluta com aquilo que o emissor procurou comunicar.

Essa proposição deverá decorrer das formalizações anteriores, e não ser simplesmente declarada.


5.1.15 Módulo 7 — Deriva e correspondência

Objetivo

Formalizar as diferenças produzidas durante a comunicação sem recorrer a qualificações absolutas como:

muito;

pouco;

grande;

pequeno.

Deriva

Símbolo provisório:

δ(X,Y | Q)

A deriva deverá ser definida segundo determinado critério Q.

Correspondência

Cor(X,Y | Q)

Onde:

Q = critério ou finalidade da comparação.

A relação entre deriva e correspondência será formalizada somente depois que ambos os conceitos estiverem definidos.


5.1.16 Módulo 8 — Retroalimentação

Pergunta

Como ciclos sucessivos de comunicação alteram as representações e a correspondência entre participantes?

Estrutura inicial:

E → M₁ → D

D → M₂ → E

E → M₃ → D

...

Cada ciclo constitui novo evento para os participantes e, portanto, pode atualizar:

configuração estatística;

circunstância;

estado;

percepção;

interpretação;

representação;

e mensagens posteriores.

Hipótese

Retroalimentação não garante aumento de correspondência.

Pode:

aumentá-la;

reduzi-la;

ou reorganizá-la.

Portanto, não assumiremos:

Corₙ₊₁ > Corₙ

como regra.

O comportamento deverá ser analisado em função do processo.


5.1.17 Estrutura obrigatória de cada módulo

Cada módulo deverá possuir a mesma arquitetura metodológica.

5.1.17.1 Pergunta específica

O que exatamente o módulo pretende explicar?

5.1.17.2 Definições

Todos os termos técnicos necessários.

5.1.17.3 Estado atual da ciência

O que possui sustentação empírica?

O que permanece controverso?

Quais modelos concorrentes existem?

5.1.17.4 Pressupostos do modelo

O que precisa ser assumido para que a formalização seja construída?

5.1.17.5 Hipótese ou hipóteses

Quais proposições serão examinadas?

5.1.17.6 Variáveis e símbolos

Cada variável deverá possuir significado único e estável.

5.1.17.7 Formalização matemática

Representação das relações propostas.

5.1.17.8 Derivações

O que decorre logicamente da formalização?

5.1.17.9 Exemplos

Aplicações destinadas a tornar o modelo compreensível.

5.1.17.10 Contraexemplos e testes adversariais

Tentativas explícitas de encontrar situações que contradigam ou exponham ambiguidades no modelo.

5.1.17.11 Testabilidade

Que observações seriam compatíveis com o modelo?

Que observações poderiam contrariá-lo?

5.1.17.12 Limitações

O que o módulo não permite concluir?

5.1.17.13 Resultado exportável

Quais definições, variáveis, equações e conclusões ficam disponíveis para o módulo seguinte?


5.1.18 Registro central de símbolos

Será mantido um registro único de símbolos durante todo o projeto.

Exemplo inicial:

i = indivíduo

t = instante considerado

Cᵢ(t) = configuração estatística

Kᵢ(t) = circunstância

Sᵢ(t) = estado

Xₜ = evento ou condições disponíveis

Pᵢ(t) = percepção

Iᵢ(t) = interpretação

Rᵢ(t) = representação

Q_E = conteúdo selecionado para comunicação

M = mensagem

δ = deriva segundo critério especificado

Cor(X,Y | Q) = correspondência segundo critério Q

Nenhum símbolo poderá mudar de significado ao longo do modelo.

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