Teoria da Realidade Original
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Reflexão

Quando o debate político se transforma em um espetáculo de desqualificação

O que uma noite diante da televisão revela sobre candidatos, eleitores e a cultura do confronto

Ilustração editorial de Lula falando aos telespectadores com expressão de incômodo, enquanto Flávio Bolsonaro faz mímica por trás e balança o indicador para a câmera em sinal de contestação.

Tenho 52 anos, quase 53, e já acompanhei muitas campanhas presidenciais. Vi candidatos de direita e de esquerda disputarem o cargo, votei em campos diferentes e aprendi que nenhum debate entrega todas as respostas que gostaríamos de ouvir. Mesmo assim, quando me sentei diante da televisão para ver Lula e Flávio Bolsonaro na Band, em 18 de outubro de 2026, eu tinha um objetivo simples: conhecer melhor as propostas dos dois e juntar elementos para decidir meu voto. Não me parecia pedir demais.

Eu queria saber o que cada um pretendia fazer com o país, o que considerava prioridade e, sobretudo, como explicaria suas escolhas diante de perguntas difíceis. Propostas apareceram, é verdade. Na segurança pública, Flávio falou em classificar facções como organizações narcoterroristas e ampliar vagas nas prisões; Lula defendeu criar um Ministério da Segurança Pública, o que depende da aprovação de uma proposta de emenda constitucional. Eram diferenças reais, e eu gostaria de tê-las compreendido melhor. Mas não foi isso que ficou comigo quando a transmissão terminou. O que ficou foi a imagem de dois candidatos à Presidência da República trocando insultos ao vivo, em rede nacional. [1]

Saí frustrado e, confesso, impressionado. Não porque esperasse cordialidade absoluta ou uma conversa entre velhos amigos. Política envolve desacordos reais, e quem disputa a Presidência precisa responder pelas próprias decisões e pelo próprio passado. A frustração vinha de outro lugar: eu tinha entrado querendo conhecer duas possibilidades de governo e saído com duas imagens negativas — a de Lula construída por Flávio e a de Flávio construída por Lula.

Faça comigo um exercício. Pegue a transcrição do debate e separe duas folhas: numa, apenas as palavras de Lula sobre Flávio; na outra, apenas as palavras de Flávio sobre Lula. Nada de resumo: as palavras exatas que foram ao ar. [2]

Na folha de Lula, Flávio é, antes de tudo, um mentiroso de família: “É engraçado porque a mentira é o forte da família Bolsonaro”; “Ele deve ter se preparado para mentir pior do que o pai”; “Ele melhorou muito para mentir”; “Eu estou vendo nos seus olhos muita mentira”; “Esse jovem senador me parece que se preparou com a maior desfaçatez”. É “o malandro carioca”. É alguém que, segundo Lula, “conhece ônibus por literatura, porque ele nunca entrou no ônibus” — e, “aliás, ele nunca trabalhou”. É miliciano: “Da família Bolsonaro, eu quero distância. Com miliciano? Quero distância.” E tem “um pedigree ruim”.

Na mesma folha, Flávio aparece cercado de dinheiro suspeito e de crime. “Você pegou 134 milhões, mentiu para a sociedade brasileira.” “Me explica como é que você comprou a casa de 10 milhões com salário de senador?” Deu “emprego para a irmã e para a mulher do cara que é o escritório do crime que mandou matar a Marielle”. E ouviu: “Esse assassino que você não deixou ser preso, que matou uma criança de 5 anos, votou em você?” Sobre o Careca do INSS, Lula disse: “O Careca é resultado de uma quadrilha que eles montaram para roubar a Previdência.” O irmão de Flávio “está fugindo nos Estados Unidos, tramando contra o Brasil”, e o grupo inteiro estaria cometendo traição: “O que vocês estão fazendo é trair a pátria e vocês serão julgados por isso.” Por fim, um aviso: “Você se prepare que dia 25 você vai perder imunidade.”

Na folha de Flávio, o mentiroso é Lula: “Você só mente”; “Você mente [com] uma desenvoltura na frente das câmeras e por trás das câmeras você protege o seu filho”; “Você está enganando a população brasileira há quatro anos”; “Olha, o seu nariz tá crescendo, Lula, toma cuidado.” É corrupto e condenado: “Além da mentira, os seus governos são sempre marcados pela corrupção, Lula”; “Você foi condenado em todas as instâncias, Lula”; “Sabe quantas pessoas aqui já foram condenadas ou presas por corrupção e lavagem de dinheiro? Só você.” “Você tem no seu DNA um problema muito sério.” E é ladrão, com direito a piada: “Eu estou sem carteira aqui, você não vai poder me roubar.”

Na mesma folha, o legado de Lula é “só de miséria, é de endividamento”, uma lista em que “é recorde de mulher assassinada”, “recorde de mulher espancada”, “recorde de empresa fechada”, “recorde de indústrias deixando o Brasil”, “é recorde de criminalidade”. Flávio fechou a conta: “É só recorde ruim. E é o recordista de mentira também, que já foi condenado várias vezes pelo TSE por fake news.” O governo “virou um balcão de negócios”, em que “está tendo roubalheira” de aposentados, e “o dinheiro que pode estar sustentando o seu filho pode ser o seu dinheiro do aposentado”. O filho “está lá na Espanha agora”, e Flávio ainda deixou no ar: “Se o filho do Lula bateu na própria mulher.” Lula “liberou as armas para os traficantes”, teve “voto de estuprador, de assaltante” e foi “eleito por aclamação nos presídios”. Tem como amigo “o Ortega, da Nicarágua, um ditador”. O PT é o “partido dos traíras”. Lula “está deixando o Brasil na lama” e, em resumo, “é o problema do Brasil”. Em certo momento, Flávio resumiu: “Isso é um nojo.” E passou uma tarefa ao adversário: “Pega um papelzinho, uma caneta e escreve aí: corrupto, corrupto.” [2]

Leia as duas folhas em sequência. Um candidato é mentiroso de família, malandro, miliciano, alguém que nunca trabalhou, que comprou casa de 10 milhões com salário de senador, que protege assassino e trai a pátria. O outro é mentiroso, corrupto, condenado, ladrão de aposentado, amigo de ditador, eleito por presidiários, alguém diante de quem é melhor esconder a carteira. Não sou eu quem está dizendo. Foram dois candidatos à Presidência da República, um sobre o outro, em rede nacional.

Se eu levasse as duas folhas a sério, sairia dali sem confiar em nenhum dos dois — não por ter examinado provas, mas porque cada um passou a noite fazendo a propaganda negativa do outro. Eu tinha me sentado para conhecer propostas e levantei com uma coleção de insultos na memória. A cada pergunta que terminava em nova acusação, o debate se afastava daquilo que eu tinha ido procurar. [2]

Houve, porém, uma cena que me desconcertou ainda mais. Enquanto Lula falava, Flávio aparecia repetidamente atrás dele, no enquadramento da câmera, fazendo expressões e gestos de desaprovação. Eu tentava acompanhar o raciocínio de quem estava com a palavra e, ao mesmo tempo, recebia outra mensagem, essa sem palavras. Era como se a própria imagem tivesse aberto um segundo debate, concorrendo com o primeiro.

Depois descobri que aquilo não era improviso. Segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o marqueteiro Duda Lima orientou Flávio a se aproximar de Lula para aparecer na câmera durante as falas do adversário. O Globo relatou que as aparições tinham sido ensaiadas com a equipe para render vídeos curtos nas redes sociais. O recurso lembrava Donald Trump circulando atrás de Hillary Clinton num debate norte-americano de 2016. Já não se tratava apenas de discordar do que estava sendo dito, mas de disputar a atenção do espectador enquanto o outro tentava se explicar. [3]

Lula percebeu os gestos e reclamou aos mediadores: “Se ele estiver zombando de mim, eu quero direito de resposta, porque eu não sou palhaço, quem é palhaço aqui é ele.” Flávio devolveu: “Não sou palhaço, não.” E o debate teve de ser interrompido. Mas o que mais marcou minha memória foi a mediação. O debate era conduzido por Adriana Araújo e Eduardo Oinegue, e os dois precisaram intervir para conter interrupções e controlar o ambiente. Nas considerações finais, Adriana chegou a parar o cronômetro para pedir silêncio à plateia. [4]

Quem ler só a transcrição talvez imagine advertências protocolares. O que me chamou a atenção, porém, não foram as palavras, foi o tom: firme, ríspido, de quem já estava irritada por ter de repetir a mesma orientação. Por um instante, lembrei de uma professora tentando fazer uma turma de crianças agitadas voltar aos seus lugares — e ali estavam o presidente da República e outro candidato à Presidência. A comparação pode soar desrespeitosa. Mas respeito, naquela noite, não parecia ser prioridade de nenhum dos dois — nem de um pelo outro, nem de ambos por quem estava assistindo.

Adriana estava apenas fazendo o trabalho dela e de Eduardo: fazer cumprir as regras. O espantoso era que dois candidatos à Presidência precisassem ser contidos com tanta firmeza. E os candidatos não estavam sozinhos nisso. A plateia alternava gritos de “Lula” e “mito”. Durante uma fala de Flávio, Janja repetiu “mentira, mentira”, e aliados de Flávio pediram que ela fosse retirada do estúdio. Nikolas Ferreira gritou para que Sidônio Palmeira, marqueteiro de Lula, se calasse e fez gesto de silêncio para a primeira-dama. Sidônio bateu boca nos bastidores, e o deputado eleito Lucas Pavanato pediu a expulsão dele. A própria Adriana reconheceu depois que a plateia havia prejudicado o debate. A disputa já não cabia nos dois púlpitos. [4]

Saí pensando no que tinha mudado. Lembro de campanhas antigas, de debates mais contidos, de adversários que, mesmo em desacordo, mantinham alguma postura. Mas a memória costuma ser generosa com o passado. O confronto duro não nasceu agora. Em 1989, o horário eleitoral de Collor levou ao ar Miriam Cordeiro, ex-namorada de Lula e mãe de uma filha dele, para acusá-lo de ser racista e de ter tentado convencê-la a fazer um aborto; Lula obteve direito de resposta dias depois. E a história guarda exemplos muito mais antigos de acusações, caricaturas e hostilidade na vida pública. Talvez a novidade não esteja no conflito em si, e sim na maneira como ele passou a ser apresentado, explorado e distribuído. [5]

Também seria um erro imaginar que esse confronto acontece só no Brasil ou pertence a uma única corrente política. Num debate de 2022, Jair Bolsonaro disse à jornalista Vera Magalhães: “Você é uma vergonha para o jornalismo brasileiro.” Já Javier Milei, presidente da Argentina, chamou Lula de “ladrón y presidiario” (ladrão e presidiário), em 2026. Entre dirigentes de esquerda, Hugo Chávez disse na Assembleia Geral da ONU, em 2006, referindo-se a George W. Bush: “Ayer vino el Diablo aquí” (ontem o diabo esteve aqui). Em 2024, Nicolás Maduro chamou Milei de “malparido nazi fascista” (bastardo nazifascista).

São episódios diferentes, com contextos e gravidades distintos, mas em todos o insulto ocupa o lugar do argumento, venha de que corrente vier. Naquela noite, na Band, as duas folhas mostram que nenhum dos dois candidatos ficou atrás. [6]

Um gesto rende um vídeo curto. Uma frase agressiva atravessa as redes em minutos. Uma explicação cuidadosa pede vários minutos de atenção. Qual dos três você acha que vai parar no seu celular?

A pergunta importa porque nos afasta da ideia de que tudo se resume ao temperamento dos candidatos: existe também um ambiente em que certas atitudes ganham visibilidade e outras quase desaparecem. E esse ambiente não é feito só de algoritmos.

Foi então que comecei a pensar nos eleitores — inclusive em mim, ali diante da televisão. É fácil apontar o dedo para os políticos, mas eles não falam no vazio. Falam para pessoas que aprovam, rejeitam, compartilham, discutem e votam. Há quem se entusiasme com uma demonstração de força, e provavelmente há quem esteja tão cansado quanto eu de confrontos que esclarecem pouco. Seria precipitado tratar os mais barulhentos como representantes de todos.

Poucos dias depois, surgiram alguns sinais nessa direção, ainda que limitados. A campanha de Flávio passou a estudar menos provocações e mais espaço para propostas no debate seguinte, depois que pesquisas qualitativas indicaram incômodo de eleitores indecisos com a agressividade. Separadamente, um grupo de 12 espectadores de diferentes preferências políticas, ouvido pela imprensa, também criticou a falta de propostas dos dois candidatos. São avaliações qualitativas distintas, que não permitem falar em nome do eleitorado como um todo. Ainda assim, é revelador que uma estratégia ensaiada para chamar atenção já estivesse sendo reconsiderada diante das primeiras reações. [3]

A plateia da Band deu uma pista. Um lado gritando “Lula”, o outro respondendo “mito”: aquilo não era discussão sobre segurança pública, era torcida. E por que alguém chega a sentir um ataque ao seu candidato como um ataque a si mesmo? A psicologia social ajuda a entender. Quando uma posição política passa a fazer parte da nossa identidade, a divergência deixa de ser sobre medidas de governo e vira uma disputa entre “nós” e “eles”. A sensação de injustiça, o vínculo com o grupo e a crença de que agir junto faz diferença ajudam a mobilizar as pessoas — são os mesmos mecanismos que sustentaram movimentos pacíficos e conquistas sociais. O problema começa quando a identidade do grupo passa a exigir a desqualificação do outro. Aí o insulto ao adversário deixa de soar como grosseria e passa a soar como lealdade. [7]

As redes sociais não inventaram esse comportamento, mas lhe deram combustível. Pesquisadores das universidades de Cambridge e de Nova York analisaram cerca de 2,7 milhões de publicações políticas norte-americanas no Facebook e no Twitter e descobriram que cada palavra referente ao grupo adversário aumentava em 67% as chances de a postagem ser compartilhada. Falar mal do outro lado rende mais do que falar bem do próprio. Agora lembre do que O Globo relatou: as aparições de Flávio atrás de Lula foram ensaiadas para render cortes nas redes. Não é preciso ter lido o estudo para conhecer o mecanismo; basta saber o que viraliza. Outra pesquisa mostrou que as pessoas tendem a perceber as mensagens políticas nas redes como mais indignadas do que seus autores dizem estar. Ou seja: além de encontrar hostilidade, passamos a enxergar mais hostilidade do que existe — e a reagir a essa imagem. Esses estudos não explicam sozinhos a política brasileira, mas ajudam a entender por que, depois de uma noite como aquela, a indignação parece estar em toda parte. [8]

Há ainda uma dificuldade que reconheço em todos nós, inclusive em mim. Volte às duas folhas e responda com sinceridade: qual delas lhe pareceu mais próxima da verdade? Se a resposta veio rápido, desconfie. Nem sempre avaliamos uma informação apenas pelo que ela diz; pesa também quem a disse e de que lado essa pessoa está. Experimentos em psicologia e neurociência encontram esse tipo de viés em pessoas de posições políticas opostas, inclusive na atividade cerebral enquanto avaliam argumentos sobre temas como imigração. Isso não autoriza falar num cérebro de esquerda ou de direita. Sugere apenas que ninguém está automaticamente protegido da tentação de acolher o argumento do próprio lado e desconfiar do argumento do outro. [9]

Mas seria injusto culpar os eleitores como se suas reações surgissem do nada. Governos podem frustrar expectativas, ignorar demandas ou não conseguir explicar suas decisões, e a insatisfação procura uma saída. Às vezes encontra a participação democrática e a cobrança por melhorias; outras vezes, o ressentimento e a promessa de alguém que diz conhecer os culpados por tudo. Nesse ambiente, um político pode descobrir que parecer indignado o aproxima mais do público do que apresentar uma proposta cheia de condições, limites e custos. Passa então a representar a frustração, ganha visibilidade com isso e pode acabar alimentando o mesmo sentimento que o tornou atraente.

Nada disso me leva a concluir que "todos são culpados", como se todos tivessem a mesma responsabilidade. Um eleitor, um chefe de governo, um marqueteiro e uma plataforma de comunicação não dispõem do mesmo poder. Mas todos podem participar, em graus distintos, de um processo que se retroalimenta. A população reage ao que vive; as lideranças respondem ao que percebem funcionar; os meios de comunicação tornam algumas reações mais visíveis; e essa visibilidade influencia o modo como população e lideranças vão agir da próxima vez. Talvez procurar um único culpado seja menos útil do que compreender esse circuito.

Pensando nisso, tive a sensação de descrever algo muito anterior à internet. Na Alemanha, depois da crise de 1929, dificuldades econômicas, disputas políticas e a perda de confiança nas instituições abriram espaço para movimentos que exploravam o descontentamento popular. A ascensão nazista envolveu muitos outros fatores, inclusive decisões das elites e rupturas institucionais; não cabe reduzi-la a uma explicação simples, muito menos transformá-la numa analogia direta com o debate a que assisti. O que a história mostra é que a frustração coletiva também pode ser disputada e organizada politicamente. [10]

E mostra que há outros desfechos possíveis. Na Grã-Bretanha de 1832, protestos e resistência a um sistema eleitoral pouco representativo contribuíram para uma reforma parlamentar. Foi uma mudança limitada, que ainda deixou muita gente de fora, mas mostrou que a pressão social pode encontrar uma resposta institucional. A Roma dos irmãos Graco e a França revolucionária oferecem outros exemplos, que deixo para as notas finais. Não é preciso colecionar episódios; basta perceber que a tensão social pode tomar caminhos muito diferentes, e que nossas escolhas e instituições fazem parte dessa diferença. [5] [11]

Volto, então, àquela noite diante da televisão. Continuo achando necessário investigar o passado dos candidatos, ouvir críticas e cobrar respostas. O confronto, por si só, não é um defeito da democracia: o eleitor precisa conhecer contradições, decisões questionáveis e acusações que tenham fundamento. Mas um debate também deveria permitir que a pergunta fosse respondida, que a acusação fosse examinada e que a proposta fosse explicada. Quando essa sequência se rompe a todo instante, o programa pode render muitos cortes para as redes e, ainda assim, deixar sem resposta quem tentava entender alguma coisa.

Talvez os políticos não estejam simplesmente esquecendo como conversar. Talvez tenham aprendido que, num ambiente que recompensa a reação imediata, provocar oferece vantagens que explicar nem sempre oferece. Isso me fez pensar nas regras do próprio debate. O que mudaria se os candidatos tivessem de voltar à pergunta quando a evitassem? Ou se os mediadores dispusessem de mecanismos claros para proteger o tempo de resposta e o enquadramento de quem está falando? Não sei quais formatos funcionariam melhor, e nenhum deles eliminaria o conflito. Mas perguntar pelos incentivos do programa me parece mais útil do que esperar que os candidatos, por conta própria, resolvam se comportar.

Eu queria sair daquele debate conhecendo melhor dois projetos de governo. Saí com duas folhas de insultos — e, depois, pensando no nosso próprio comportamento como sociedade. Não tenho uma resposta definitiva para esse problema, nem acredito que exista uma época perfeita para a qual possamos voltar. Fiquei, porém, com uma pergunta: se chamar o adversário de miliciano e palhaço, de um lado, e de corrupto e mentiroso, do outro, conquista tanta atenção, quanto espaço estamos deixando para a capacidade de explicar o que se pretende fazer pelo país?

Jumas Duleba

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